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sábado, 12 de abril de 2008

A política das provas, provinhas e provões

Ivan Valente*


O Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) existe desde 1996. Em março, foram divulgados os resultados das provas de Língua Portuguesa e Matemática do exame aplicado no ano passado. Alguns resultados que o Saresp 2007 mostrou:

- na 1ª série do ensino fundamental, 48,8% dos alunos não escrevem com ortografia regular. Redigem com correspondência sonora alfabética;

- na 3ª série do ensino médio, cerca de 80% estão abaixo do nível considerado adequado pela Secretaria Estadual de Educação. Na 8ª série do ensino fundamental, 70% estão abaixo do adequado;

- nas 4ª e 8ª séries do ensino fundamental, o percentual dos alunos com desempenho em matemática “abaixo do básico” é de cerca de 45% e 50%, respectivamente. No ensino médio, este percentual é de 71%;

- na média geral, mais de 80% dos alunos não atingiram os conhecimentos matemáticos esperados pela própria Secretaria da Educação.

Portanto, ao contrário do que propagandeia o governo estadual, algo está muito errado na Educação que temos dado às crianças do nosso estado. A gestão Serra afirma ter encontrado a “salvação da lavoura” para os problemas do ensino em São Paulo. Em diversas declarações à imprensa, a secretária Maria Helena Castro exaltou a política baseada na concorrência entre escolas e entre professores, com a realização de avaliações sucessivas e superpostas – provas, provinhas e provões – e o posterior oferecimento de bolsas, bolsinhas e bônus de baixo valor, concedidos de acordo com o resultado dos exames. Para ela, a premiação do mérito, aliada à análise de indicadores de gestão, de taxas de repetência e evasão e de ausência de servidores, trará as respostas para a qualidade do ensino em nosso estado.

A secretária escanteia, desta forma, elementos fundamentais no debate sobre os rumos da Educação. Para ela, por exemplo, é irrelevante se uma sala de aula do ensino fundamental ou médio tem 25 ou 60 alunos. Maria Helena considera esta questão um mito da Educação a ser eliminado, ignorando o recomendado por instituições nacionais e internacionais, como a UNESCO, que estabelecem em 35 o número máximo de alunos por sala de aula.

Da mesma forma, nossas escolas públicas não precisariam de mais recursos, nem o professorado, de melhorias salariais. Nada disso levaria a um aumento no aprendizado. Tudo não passaria de uma “ladainha repetitiva”, “sindicalista, ultrapassada e corporativa”. Afinal, nossos educadores ganham bem e os recursos são suficientes.

Ou seja: ao afirmar que é irrelevante o número de alunos por sala de aula e que melhores salários e condições de trabalho não são determinantes nas boas condições de aprendizagem, achou-se o culpado para a nossa péssima qualidade de ensino: o professorado. A solução apontada, então, é premiar os servidores mais “talentosos” e “esforçados” e as escolas mais “promissoras”, medidas pelos sucessivos exames aos quais as instituições são submetidas.

Países como Chile e Estados Unidos já revelaram os efeitos maléficos deste tipo de política. Um deles é o afastamento dos melhores professores das escolas que atendem a alunos mais carentes, que apresentam piores desempenhos neste tipo de avaliação. Da mesma forma, a busca por escolas com melhores resultados – que nem sempre significam melhor qualidade no ensino – tende a isolar os estudantes com mais dificuldades em escolas que já sofrem um conjunto de deficiências.

O resultado é o aumento permanente na distância entre os desempenhos obtidos por alunos de uma mesma rede de ensino. Falhas na gestão e professores que não agem de acordo com sua função de servidor público devem ser combatidos. Mas em absoluto constituem o cerne do nosso problema educacional.

A ilusão de que a comparação e seleção levarão à produção de qualidade é um equívoco pedagógico que pode colocar nossas instituições no perigoso caminho da geração e aumento da exclusão.

Os tucanos estiveram oito anos no governo central e governam São Paulo há 13. FHC vetou o dispositivo do Plano Nacional de Educação que elevava o gasto público com educação de 3,7% para 7% do PIB. Criaram um pseudo-sistema nacional de avaliação para esconder a política de corte dos recursos. Seu objetivo sempre foi diminuir o papel do Estado e atribuir-lhe papel apenas regulatório.

As políticas de fundos para a educação de FHC e de Lula não passam de socialização da miséria. Alguém acredita que o suplemento da União a Estados e Municípios, de apenas R$ 1 bilhão ao ano de recursos novos nos próximos quatro anos, para um universo de 50 milhões de estudantes da educação básica, resultará em algum impacto real na qualidade de ensino? Podemos nos fiar que a instituição de um piso salarial para o magistério brasileiro de pouco mais de R$ 450 por 20 horas semanais estimule a carreira? Enquanto isso, o país desembolsa R$ 160 bilhões por ano em juros da dívida pública.

Somente o investimento pesado na formação e remuneração dos docentes e na infra-estrutura das escolas resultará na melhora qualitativa na educação. É esta a política que precisa ser promovida com urgência em São Paulo, sob o risco de comprometermos em definitivo o futuro de uma parcela significativa de nossa população.

*Ivan Valente é deputado federal pelo PSOL/SP, professor e membro da Comissão Permanente de Educação da Câmara dos Deputados.
Publicado na revista Época


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Ciclo de Seminários do CEPPPE - Centro de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas de Educação

21 e 22 de fevereiro de 2008 na FEUSP - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (para chegar, consultar mapa disponível em www2.fe.usp.br/estrutura/ )


21 de fevereiro


Local: Sala 114 do Bloco B

9h30 - 12h30
Sylvain Souchaud (Institut de Recherche pour le Développement-IRD)
“A educação como questão demográfica”

14h30 - 17h30
Marília Pinto de Carvalho (FEUSP)
“Critérios de avaliação escolar, gênero e raça nas séries iniciais”

22 de fevereiro


Local: Sala 114 do Bloco B

9h30 - 12h30
Valéria Virgínia Lopes (Dra. Pela FEUSP)
“Cartografia da Avaliação Educacional no Brasil”

14h30 - 17h30
Paula Louzano (Dra. Pela Universidade de Harvard)
“Equidade e Excelência no Ensino fundamental Brasileiro”

Evento gratuito e aberto a todos os interessados, sem necessidade de inscrição prévia.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

DOCUMENTÁRIO SOBRE A GREVE DE PEBs DO ESTADO, EM 1993

Recebemos o apelo de Flávia Scabio que está produzindo um documentário sobre a GREVE DE PEBs DO ESTADO, EM 1993:


"Em 1994, no Governo Fleury, houve uma greve de professores de 93 dias.
Um grupo de 400 educadores invadiu a plenária da Assembléia Legislativa, ocupando-a por 9 dias. Eu fui uma dessas educadoras que sonhava e sonha em melhorar o sistema educacional.
Estou escrevendo um roteiro de filme para contar sobre esse episódio.
Se entre os leitores deste blog houver algum educador que participou daquele evento, por favor entre em contato comigo."

Obrigada.

Flavia Scabio"

flaviascabio@ yahoo.com. br

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Um em cada 5 jovens não completou o ensino fundamental

21/01/2008 - 02h52
da Folha Online
Reportagem da Folha de S.Paulo (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal) mostra que um em cada cinco jovens entre 18 e 29 anos e que vivem em cidades abandonou a escola antes de completar o ensino fundamental.
Segundo trabalho feito pela Secretaria Geral da Presidência da República com base na Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, dos 34 milhões jovens urbanos do país, 7,4 milhões tiveram de um a sete anos de estudo --período insuficiente para concluir o ciclo-- e 813,2 mil são analfabetos.
No topo da lista de exclusão estão cinco Estados do Nordeste. O líder é Alagoas, com 46% dos jovens em uma dessas duas situações. Na outra ponta do ranking está São Paulo, com 15% de exclusão.
"Há 20 anos, quando muitos desses jovens estavam em idade escolar, o sistema de ensino apresentava uma cobertura menor e uma exclusão maior", declara o professor Fernando Tavares Jr., da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais. "Por outro lado [há 20 anos], a reprovação e a evasão eram bem maiores. Os dois fatores conjugados produziram uma exclusão educacional maior nessa geração", completa.
Um quadro geral sobre a péssima situação da educação nacional pôde ser visto em dezembro, com os resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Entre 57 nações avaliadas, os alunos brasileiros obtiveram a 53ª posição em matemática, a 52ª em ciências e a 48ª em leitura.